Praia Grande: A Jornada para a Emancipação e Independência
Praia Grande foi emancipada de São Vicente em 1967. No século XVII a região de Praia Grande, ou Praia da Conceição era formada por sítios e tinha uma população com atividades agrícolas e artesanais. No início do século XX com a inauguração da estrada de ferro e da ponte pênsil começaram os primeiros loteamentos, com investimentos imobiliários na futura cidade.
Na década de 1950 começa um movimento pela emancipação política tendo como principais motivos a precária infraestrutura, falta de saneamento, escolas, hospitais, abastecimento de água e luz, vias de acesso e transporte.
Em 19 de Janeiro de 1967 a emancipação acontece, Nicolau Paal é nomeado interventor federal do município e a primeira eleição em novembro de 1968, elege como prefeito Dorivaldo Loria Junior. Na década de 1980 a cidade começa a se desenvolver em ritmo acelerado com a inauguração da ponte do mar pequeno que liga diretamente Praia Grande a capital paulista.
A partir de 1993 o sistema de transporte é remodelado, mais de 90% das ruas pavimentadas, o saneamento básico implantado em mais de 60% do município e os pontos turísticos são reurbanizados.
Com cerca de 300 mil habitantes (Estimativa IBGE 2015 – 299.262), Praia Grande recebe anualmente cerca de 10 mil novos moradores. A capacidade de gerar empregos e renda não segue o mesmo ritmo. Informalidade, empregos temporários, alta taxa de criminalidade, custo elevado de moradia, incentivam invasões, desmatamento e construções irregulares que demandam serviços públicos.
Segundo dados do IBGE em 2019 o salário médio mensal em Praia Grande era de 2,4 salários mínimos, mas somente 18,4% da população era ocupada. Posição 651 de 5570 e 1616 de 5570 respectivamente no ranking nacional de municípios. E 33,8% dos domicílios tem rendimento de até 0,5 salários mínimos. Com o alto índice de desemprego, a diferença de renda, o pouco conhecimento da cidade e a falta de expectativas é natural que problemas surjam.
As opções de lazer e cultura não são acessíveis para quem luta pelo pão de cada dia e em comunidades onde a maior parte da população vive na informalidade essas opções nem são vislumbradas. O teatro municipal, Shopping Center, Pontos turísticos como o Portinho, centros comerciais como os dos bairros Ocean e Boqueirão mostram o desenvolvimento da cidade, mas escondem as mazelas da chamada terceira zona. Bairros como Melvi, vila Sonia, Caieiras, jd Glória entre vários outros, tem sua própria identidade e ritmo. Pequenos comércios irregulares, casas amontoadas e comercializadas informalmente, prestadores de serviços locais irregulares. Há uma clara divisão para quem mora em Praia Grande entre quem possui alta e quem possui baixa renda. A educação avança e diminui essa desigualdade, na cidade há o programa jovem aprendiz, que leva educação profissional e programa de estágio para a população jovem. Há padronização do ensino nas escolas municipais o que contribui para diminuir as diferenças. Mas é necessário ao educador, na minha opinião, um olhar para as peculiaridades de cada microrregião. Um olhar e um modo de ensino que vislumbre os costumes dos alunos e exaltem a importância dos mesmos e da história da cidade, Estado e País como um todo. Entender as diferenças e semelhanças entre indivíduos e comunidades e promover o conhecimento histórico e cultural dos mesmos e da região onde residem pode promover uma melhora no desempenho escolar, nas relações e expectativas de vida, aumento no interesse em conhecer o novo e respeitar as diferenças, interesse em promover seus próprios costumes e se adaptar ou ao menos entender o outro integra as pessoas e tende a diminuir a desigualdade social e econômica.
Ensinar a história da cidade, da região metropolitana e as origens das pessoas que habitam, dos indígenas até a população migrante, a evolução da região, sua ligação com o estado e país. Estimular o conhecimento da história local, os acontecimentos e personagens importantes podem integrar a comunidade, faze-la ter consciência de como funciona a região e estimular a desenvolver habilidades para o tipo de economia local e empreender. Dar consciência aos indivíduos de quem são, individualmente e coletivamente, e onde estão, possibilita vislumbrar quem se quer ser e onde se quer chegar.
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