Imparcialidade no Jornalismo - Mito ou Meta?
Notícias são notícias, não análises. E nas análises, acredito na necessidade de posicionamento explícito. Hoje, a informação está disponível em todo lugar e para qualquer pessoa. A comunicação é rápida e, por vezes, efêmera.
O que os estudantes de jornalismo querem ser?
Eu, quero ser ninguém... explico:
Sr. Ninguém, um personagem da DC Comics que habita as partes brancas das páginas entre os quadrinhos, observa os acontecimentos e, por vezes, narra a história. Eventualmente, o Sr. Ninguém aparece nos quadrinhos para apontar algo, elucidar e também interferir… E é aí que mora o perigo.
Pensei muito nesse personagem quando decidi me tornar jornalista. Gosto de observar, analisar e explicar os acontecimentos, mas vejo hoje muitos jornalistas colocando suas posições pessoais e políticas à frente dos fatos.
Uma relação complicada numa profissão com objetivos simples.
Não há problema algum em ter opinião desde que isso fique evidente.
Mesmo os personagens de desenho têm vieses, imagine nós, meros humanos.
Falando em humanos, há, sim, grandes jornalistas de direita e de esquerda, que mostram os fatos e se posicionam. O perigo está nos que fingem imparcialidade. Subvertem a profissão. Jornalistas que são camaleões e mudam de acordo com as circunstâncias, mudam de lado a depender do governo, da mídia, de incentivos... fingem demência ao refutar seu passado e esquecem da decência.
Há muitos que defendem um lado de forma ferrenha, usam truques de linguagem como adjetivar de forma diferente o que é igual. Endeusam uma figura pública, ignoram acontecimentos e quando ignorar é impossível argumentam a favor do indefensável justificando os maus atos e tentando torna-los bons.
Um jornalista ao entrevistar ou falar de opostos, a meu ver, deveria ter uma postura igual, questionar, provocar, buscar a verdade. Afinal um jornalista não é um Relações Públicas e se decidir se tornar um que assuma. É uma ótima profissão.
Ter uma pauta é necessário, ter uma pauta ideologia, ok, desde que o público seja informado.
Um grande jornalista, que faz seu trabalho, será amado e odiado. Falará a verdade, dará a notícia e pode, sim, dar sua opinião. Se for dissimulado, será obliterado, esquecido ou, se famoso, motivo de chacota.
Jornalistas como Augusto Nunes, um dos principais jornalistas conservadores do Brasil, tem uma carreira longeva. Conhecido por suas opiniões firmes sempre deixa clara sua posição política.
Demétrio Magnoli é jornalista de esquerda, trabalha atualmente numa emissora de esquerda, mas se respeita. Analisa os fatos como eles são, faz duras críticas aos políticos de estimação da empresa, mesmo com o risco constante de ser cancelado.
Glenn Greenwald jornalista norte-americano radicado no Brasil, é conhecido por seu trabalho investigativo e por manter uma postura de imparcialidade. Greenwald ganhou notoriedade internacional ao divulgar documentos vazados por Edward Snowden sobre a vigilância global dos Estados Unidos. No Brasil foi elogiado pela esquerda e duramente criticado pela direita pela “Vaza Jato” e elogiado pela direita e criticado pela esquerda pela “Vaza Toga”.
Um jornalista investigativo “raiz”.
Os citados são excelentes exemplos de bons jornalistas com visões diferentes de mundo.
Diferentes desses a maioria dos jornalistas de “destaque” me faz pensar que a faculdade não ensina o básico. Talvez seja o fato de os professores terem suas prioridades e vieses, das faculdades estarem loteadas pela esquerda, do ensino ser ruim, do ego dos jornalistas serem maiores que a moral...
A essência do jornalismo – busca pela verdade e comunicação clara e honesta - está ficando distante, mas faço votos para serem recordados.
O Sr. Ninguém, que não é jornalista, se torna um vilão. Cheio de ódio e querendo mudar algo, torna tudo pior. Ser jornalista e 100% imparcial o tempo todo é praticamente impossível, mas podemos ao menos ser sinceros.
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